
Eu confesso... que estive lá novamente, na manifestação de educadores e professores do dia 15 de Novembro.
Possivelmente pensarão que este espaço é um confessionário e que eu vos elegi como meus confessores... possivelmente, e também por isso me penitencio.
Mas eu estive lá novamente, ainda mais convicto nas razões que me movem (assim como à grande maioria) e ainda mais esperançado em que a verdade vença a mentira, em que a razão vença a ilusão.
Estive lá novamente, no dia do meu aniversário (confidência para aqueles que não estiveram lá), na esperança de que a maior prenda que me poderiam dar era sanar de uma vez por todas este processo que mina, que corroi, que destroi...
Ainda hoje, Domingo, ao folhear o jornal "Público", li com particular atenção as palavras de três personalidades pressupostamente (re)conhecidas pela opinião pública e (pressupostamente) insuspeitas neste penoso processo. Por isso, embora correndo o risco de descontextualizar as frases, registo aqui algumas das suas palavras que acredito corresponderem ao sentimento generalizado dos professores:
"Conheço muitos professores e nos últimos meses não vi um feliz. Isso é altamente preocupante. [...] O respeito pelos professores é o mais importante, pois o futuro do país depende da educação dos seus cidadãos. [...] A palavra-chave é sensibilidade. E também afecto. É preciso olhar para isto de outra forma. Não vai à força, nunca foi. É necessário perceber as causas do descontentamento. Quando não há realização profissional, quando os professores não se sentem bem com o que estão a ter de fazer, nunca poderão dar o seu melhor à escola e aos alunos. Isto é uma verdade auto-evidente."
João Lobo Antunes, neurocirurgião
"Os jornais já publicaram mil pormenores sobre o sistema de avaliação. O escárnio é constante. A ministra queixa-se de que o seu sábio sistema foi ridicularizado! É verdade. Mas não merece menos que isso. [...] A avaliação ministerial, burocrática, formal e pseudo-científica é um enorme erro."
António Barreto, sociólogo
"Confesso-me perplexo perante os comentários da ministra. Só os entendo como revelação pública de que não sabe o que se passa nas escolas, algo muito grave para o cargo que ocupa. Basta falar com professores em qualquer estabelecimento de ensino para sentir de imediato o mal-estar docente: quem ignora esse facto distorce a realidade. A avaliação não só introduz burocracia (não é verdade que se limita só a um formulário, este é apenas a primeira fase do processo) como também fomenta problemas interpessoais entre professores. [...] Como eu gostaria que a nossa ministra, sem um séquito de assessores e com tempo, parasse nas escolas a ouvir os professores: escutaria então os protestos ordeiros de tantos "bons" professores que diz defender (...)."
Daniel Sampaio, psiquiatra e escritor