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sábado, 8 de janeiro de 2011

Confissões de um professor

Recebi esta mensagem por e-mail... partilho-a tal e qual a recebi.
Apenas acrescento duas palavras: até quando?

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas
Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.
Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…
Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».
Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O que um(a) Professor(a) deve ter...


O que um(a) Professor(a) deve ter...

Uma memória de elefante, para de tudo se lembrar.
Uma paciência de anjo, para a todos educar.
Olhos à volta da cabeça, para tudo poder ver.
Resposta automática, para a todos responder.

Microfone incorporado, para tudo registar.
Umas costas bem largas, para tudo isto aguentar.
Ouvidos com controlo de intensidade, para não ficar com a cabeça atordoada.
E uma voz bem resistente, para não ter de ficar calada.

Oito braços como um polvo, para a todos ajudar.
E um coração de criança, para tudo apreciar.
Um bom filtro nasal, para aos maus cheiros resistir.
E um enorme bom humor, para tudo encarar a rir!

Mais 10 dedinhos de fada, que ajudem a trabalhar...
E umas pernas de atleta, para os mais pequenos apanhar.
Conhecimentos de informática, para usar o computador.
E também de medicina, para aliviar a dor.

Precisa também de ter muita cultura geral.
E nas áreas científicas, não poderá dar-se mal...
Biologia, Matemática e também Meteorologia.
Para além de Físico-química e também Geografia.

Tem de saber Psicologia, para lidar com as pessoas.
E dizer, sem magoar, às vezes coisas menos boas...
Enfim, um(a) Professor(a) à medida da necessidade,
Só feita por encomenda, não vos parece verdade?

(Autor Desconhecido)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Uma turma, um projecto, uma equipa...

No final de mais um ano lectivo, a reflexão sobre o trabalho desenvolvido torna-se obrigatória. Neste sentido, e porque as relações que se estabelecem entre professores e alunos e alunos entre si ultrapassam muitas vezes as meras relações pedagógicas, deixo aqui uma modesta mas simbólica homenagem aos alunos e aos professores do 12º A que, ao longo de três anos, souberam desenvolver um projecto de trabalho que honrou todos os intervenientes. Mais do que uma turma, foi uma equipa...
Para todos, as maiores felicidades...
Até breve... Até sempre!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Educar é mesmo isto...

Apesar da época de Carnaval ser supostamente mais propícia a mensagens de folia, tenho particular gosto em partilhar esta mensagem de tranquilidade e de esperança com os "bons" pais e com os "bons" professores.
Um abraço e bom fim-de-semana.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dia Mundial do Professor

Hoje comemora-se mais um Dia Mundial, desta vez dedicado aos professores. Após o início de mais um ano lectivo, gostaria de relembrar este poema, devidamente divulgado entre nós nos últimos meses. A todos os professores, um abraço enorme e a oferta deste prémio de PROFESSOR DO ANO!

PROFESSOR DO ANO

Professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia os seus 80 alunos.

Professor do ano foi aquela que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.

Professor do ano foi aquela que leccionou a 200 km de casa e só viu os filhos e o marido ao fim de semana.

Professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. Como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.

Professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque as crianças não podiam e a escola não dava.

Professor do ano foi aquele que, em cima de todo o seu trabalho, preparou acções de formação e se expôs partilhando o seu saber e os seus materiais.

Professor do ano foi aquela que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.

Professor do ano foi aquele que pagou para trabalhar só para que lhe contassem mais uns dias de serviço.

Professor do ano foi aquele que fez mestrado suportando todos os custos e sacrificando todos os fins-de-semana com a família.

Professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte.

Professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para tirar mais umas dúvidas.

Professor do ano foi aquele que organizou uma visita de estudo mesmo sabendo que Jorge Pedreira considerava que ele estava a faltar.

Professor do ano foi aquele que continuou a motivar os alunos depois de ser indignamente tratado pelos seus superiores do ME.

Professor do ano foi aquele que se manifestou ao sábado sacrificando um direito para preservar os seus alunos.

Professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão e a escola a que quer bem, os colegas que estima.

Professor do ano... tanto professor do ano.

Professores do ano, todo o ano, fomos todos nós, professores, que o continuamos a ser mesmo após uma divisão absurda.

Somos mais que professores do ano.
Somos professores sempre!

domingo, 28 de junho de 2009

Professores unidos - tantos e tão poucos...

No final de mais um ano lectivo, com todas as vicissitudes que assistimos e vivenciámos, mas igualmente com todas as coisas boas que nos fizeram sentir, de novo, mais do que apenas meros profissionais, penso ser justo fazer a divulgação do vídeo que tem estado a correr e-mails. Mesmo aqueles que não tenham concordado com a contestação que os educadores e os professores fizeram às inúmeras "medidas" impostas pela tutela, deverão decerto concordar com o verdadeiro civismo com que esses mesmo milhares e milhares de educadores e professores demonstraram o seu repúdio face às sucessivas desconsiderações a que foram sujeitos. Acredito, e mesmo que duvidasse queria acreditar, que tantas dezenas de milhares de profissionais terão de certeza razão. Mesmo que não seja toda, mas a maioria... certamente!
Deixo ainda aqui um testemunho escrito nos comentários do vídeo no Youtube:
"Caros colegas, obrigada! Vamos continuar a lutar, a mostrar através do nosso exemplo, das nossas atitudes e da nossa paixão pelo que fazemos que não estamos errados e que damos muito de nós, todos os dias, a todos os alunos. Porque ser professor é mais que uma profissão e não se esgota nas horas que passamos a trabalhar, é algo que se agarra à pele e fica para sempre. Porque todos os dias damos e recebemos e todos os dias queremos melhorar, vamos continuar a lutar! "
A todos os educadores e professores... um abraço muito especial.

sábado, 18 de abril de 2009

Parlamento Europeu defende maior reconhecimento social dos professores

Maiores níveis de reconhecimento social dos professores e sistemas de avaliação orientados não só para os resultados quantitativos e os desempenhos dos alunos, mas também para a avaliação do próprio sistema, tendo em conta o contexto socioeconómico específico de cada escola, são algumas das recomendações hoje feitas pelo Parlamento Europeu aos Estados-Membros no âmbito da educação. Os resultados positivos do ensino dependem, segundo o PE, do "respeito assegurado à autoridade dos professores".

Os professores são uma peça essencial para uma escola de qualidade e, como tal, devem ser-lhes oferecidos "níveis de reconhecimento social, estatutos e remunerações condizentes com a importância das suas funções", defende o Parlamento Europeu na resolução "Melhores escolas: Uma agenda para a cooperação europeia".

Os resultados positivos do ensino dependem, segundo o documento, do "respeito assegurado à autoridade dos professores". Os professores devem ainda reflectir a diversidade da sociedade, o que se traduz, por exemplo, na necessidade de atrair mais homens para a docência.

(ler mais aqui)