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domingo, 20 de novembro de 2011

Como vai a nossa educação.. e não só!

Penso que já é do vosso conhecimento este trabalho efetuado pela revista Sábado e que tem invadido os nossos e-mails. Este trabalho jornalístico teve como base o seguinte: "Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da Casa dos Segredos, que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa". (clique aqui para ver o vídeo)
A primeira reação poderá ser naturalmente a de um sorriso irónico face a tanta ignorância demonstrada por estes jovens universitários e pré-universitários. Este sentimento é rapidamente substituido por uma profunda preocupação... não só pelo estado da educação (e aqui falo como professor), como pelo estado do jornalismo em Portugal, e finalmente pelo estado da Nação.
Após ter ouvido a rúbrica do Bruno Nogueira que passou na TSF (obrigado, Cita), tive mais facilidade em diluir a primeira reação, não tendo conseguido no entanto desfazer as preocupações!!! (clique aqui para ouvir a rúbrica)
Grande abraço para todos.

domingo, 12 de junho de 2011

12º A: uma turma, um desafio, um sonho, uma certeza.

No final de mais um ano lectivo, a reflexão sobre o trabalho desenvolvido torna-se obrigatória. Neste sentido, e porque as relações que se estabelecem entre professores e alunos e alunos entre si ultrapassam muitas vezes as meras relações pedagógicas, deixo aqui uma modesta mas simbólica homenagem aos alunos e aos professores do 12º A que, ao longo de três anos, souberam desenvolver um projecto de trabalho que honrou todos os intervenientes. Mais do que uma turma, foi uma equipa...
Fico muito grato aos alunos por todas as palavras que registaram. Para além de reconfortantes, são um estímulo.... para todos, as maiores felicidades...
Até breve... Até sempre!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O meu dever é falar, para não ser tomado por cúmplice

Excelente artigo este de Santana Castilho in Público, 19/01/2011

Até quando o silêncio e a inacção?


"Que patifes, as pessoas honestas" é uma citação atribuída ao escritor francês Émile Zola, que me revisita sempre que vejo os políticos justificarem com o manto diáfano da legalidade comportamentos que a ética e a moral rejeitam. E é ainda Zola que volta quando a incoerência desperta o meu desejo de falar, para não ser tomado por cúmplice.
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Foi duplamente incoerente o apelo ao respeito e à valorização dos professores que Cavaco Silva fez há dias em Paredes de Coura. Incoerente quando confrontado com o passado recente e incoerente face ao que tem acontecido no decurso da própria campanha eleitoral. Em 2008 e 2009, os professores foram continuamente vexados sem que o Presidente da República usasse a decantada magistratura de influência para temperar o destempero. E foi directa e repetidas vezes solicitado a fazê-lo. Por omissão e acção suportou e promoveu políticas que desvalorizaram e desrespeitaram como nunca os professores e promulgou sem titubear legislação injusta e perniciosa para a educação dos jovens portugueses. Alguma ridícula e imprópria de um país civilizado, como aqui denunciei em artigo de 11.9.06. Já em plena campanha, Cavaco Silva disse num dia que jamais o viram ou veriam intrometer-se no que só ao Governo competia para, dias volvidos, aí intervir, com uma contundência surpreendente, a propósito dos cortes impostos ao ensino privado. Mas voltou a esconder-se atrás do silêncio conivente, agora que é a escola pública o alvo de acometidas sem critério e os professores voltam a ser tratados, aos milhares, como simples trastes descartáveis.
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Imaginemos que o modelo surreal para avaliar professores se estendia a outras profissões da esfera pública. Que diria Cavaco Silva? Teríamos, por exemplo, juízes relatores a assistirem a três julgamentos por ano de juízes não relatores, com verificação de todos os passos processuais conducentes à sentença e análise detalhada do acórdão que a suportou. Teríamos médicos relatores a assistirem a três consultas por ano dos médicos de família não relatores; a verificarem todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes. Imaginemos que os juízes teriam que estabelecer, ano após ano, objectivos, tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar. O mesmo para os médicos: doentes a ver, a declarar não doentes, a tratar directamente ou a enviar para outras especialidades, devidamente seriadas e previstas antes do decurso das observações clínicas. Imaginemos que o retorno ao crime por parte dos criminosos já julgados penalizaria os juízes; que a morte dos pacientes penalizaria os médicos, mesmo que a doença não tivesse cura.
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•Imaginemos, ainda, que o modelo se mantinha o mesmo para os juízes dos tribunais cíveis, criminais, fiscais ou de família e indistinto para os otorrinolaringologistas, neurologistas ou ortopedistas. Imaginemos, agora, que um psiquiatra podia ser o relator e observador para fins classificativos do estomatologista ou do cirurgião cardíaco. Imaginemos, por fim, que os prémios prometidos para os melhores assim encontrados estavam suspensos por falta de meios e as progressões nas respectivas carreiras congeladas. Imaginemos que toda esta loucura kafkiana deixava milhares de doentes por curar (missão dos médicos) e muitos cidadãos por julgar (missão dos juízes). A sociedade revoltava-se e os profissionais não cumpririam. Mas este modelo, aplicado aos professores, está a deixá-los sem tempo para ensinar os alunos (missão dos professores), com a complacência de parte da sociedade e o aplauso de outra parte. E os professores cumprem. E Cavaco Silva sempre calou.
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Ultrapassámos os limites do tolerável e do suportável. Ontem, o estudo acompanhado e a área-projecto eram indispensáveis e causa de sucesso. Hoje acabaram. Ontem, exigiram-se às escolas planos de acção. Hoje ordenam que os atirem ao lixo. Ontem Sócrates elogiou os directores. Hoje reduz-lhe o salário e esfrangalha-lhes as equipas e os propósitos com que se candidataram e foram eleitos. Ontem puseram dois professores nas aulas de EVT em nome da segurança e da pedagogia activa. Hoje dizem que tais conceitos são impróprios. Ontem sacralizava-se a escola a tempo inteiro. Hoje assinam o óbito do desporto escolar e exterminam as actividades extracurriculares. Ontem criaram a Parque Escolar para banquetear clientelas e desorçamentar 3 mil milhões de dívidas. Hoje deixaram as escolas sem dinheiro para manter o luxo pacóvio das construções ou sequer pagar as rendas aos novos senhores feudais. Ontem pagaram a formação de milhares de professores. Hoje despedem-nos sem critério, igualmente aos milhares.
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Os portugueses politicamente mais esclarecidos poderão divergir na especialidade, mas certamente acordarão na generalidade: os 36 anos da escola democrática são marcados pela permanente instabilidade e pelo infeliz desconcerto político sobre o que é verdadeiramente importante num sistema de ensino. Durante estes 36 anos vivemos em constante cortejo de reformas e mudanças, ao sabor dos improvisos de dezenas de ministros, quando deveríamos ter sido capazes de estabelecer um pacto mínimo nacional de entendimento acerca do que é estruturante e incontornável para formar cidadãos livres. Sobre tudo isto, o silêncio de Cavaco Silva é preocupante e obviamente cúmplice.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O que um(a) Professor(a) deve ter...


O que um(a) Professor(a) deve ter...

Uma memória de elefante, para de tudo se lembrar.
Uma paciência de anjo, para a todos educar.
Olhos à volta da cabeça, para tudo poder ver.
Resposta automática, para a todos responder.

Microfone incorporado, para tudo registar.
Umas costas bem largas, para tudo isto aguentar.
Ouvidos com controlo de intensidade, para não ficar com a cabeça atordoada.
E uma voz bem resistente, para não ter de ficar calada.

Oito braços como um polvo, para a todos ajudar.
E um coração de criança, para tudo apreciar.
Um bom filtro nasal, para aos maus cheiros resistir.
E um enorme bom humor, para tudo encarar a rir!

Mais 10 dedinhos de fada, que ajudem a trabalhar...
E umas pernas de atleta, para os mais pequenos apanhar.
Conhecimentos de informática, para usar o computador.
E também de medicina, para aliviar a dor.

Precisa também de ter muita cultura geral.
E nas áreas científicas, não poderá dar-se mal...
Biologia, Matemática e também Meteorologia.
Para além de Físico-química e também Geografia.

Tem de saber Psicologia, para lidar com as pessoas.
E dizer, sem magoar, às vezes coisas menos boas...
Enfim, um(a) Professor(a) à medida da necessidade,
Só feita por encomenda, não vos parece verdade?

(Autor Desconhecido)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Uma turma, um projecto, uma equipa...

No final de mais um ano lectivo, a reflexão sobre o trabalho desenvolvido torna-se obrigatória. Neste sentido, e porque as relações que se estabelecem entre professores e alunos e alunos entre si ultrapassam muitas vezes as meras relações pedagógicas, deixo aqui uma modesta mas simbólica homenagem aos alunos e aos professores do 12º A que, ao longo de três anos, souberam desenvolver um projecto de trabalho que honrou todos os intervenientes. Mais do que uma turma, foi uma equipa...
Para todos, as maiores felicidades...
Até breve... Até sempre!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dicas para sobreviver ao ECD e à ADD

Depois de ler este post no blogue do Ramiro Marques e de receber por e-mail, não resisto a reproduzir aqui estas dicas. Com mais ou menos ironia, dão-nos sem dúvida que pensar...

Dica #1: Afaste-se dos blogues que insistem em publicar posts sobre o estatuto e a avaliação de desempenho; Mas se é masoquista, continue a perder o seu tempo a autoflagelar-se;

Dica #2: Lembre-se de que vai ter de leccionar até aos 65 anos de idade; para quê incomodar-se em encurtar uns anos a chegada ao topo da carreira? o melhor mesmo é poupar energia e deixar o tempo correr; já que a ADD é uma fantochada, limite-se a desempenhar as funções lectivas com dignidade e profissionalismo e concentre o seu tempo e energia naquilo que lhe dá prazer;

Dica #3: Evite ao máximo contactar com o director, afaste-se do gabinete da direcção e passe o menos tempo possível na sala de professores; lembre-se de que há muita vida fora da escola e ainda mais fora da sala de aula; sobretudo não caia na tentação de querer salvar crianças e adolescentes que não têm salvação.

Dica #4: Se tiver turmas CEF, ajuste o seu comportamento à realidade; se os alunos quiserem aprender, ensine; se andam ali apenas para passar o tempo, deixe-os andar;

Dica #5: Afaste-se dos pais o mais que puder e quando lhe apetecer dizer alguma coisa nas reuniões, trinque o lábio inferior e fique calado; lembre-se que tudo aquilo que disser pode ser usado contra si; em caso de conflito, a palavra do professor tem menos peso do que a do aluno ou dos pais.

Dica #6: A maior parte das reuniões não têm utilidade; dê o seu contributo para as encurtar; guarde silêncio do princípio ao fim.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cansado(s)...

Recebi esta mensagem da Lena, com as palavras (desabafos) de uma colega. Porque me identifico com essas palavras, decerto não se importarão que as partilhe aqui...


Feliz? Não! Cansado…
Carla Marques*

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura,
a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto
— Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito
o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos, in "Poemas"


Se por esta altura entrarmos numa sala de professores de qualquer escola do país, este será o ambiente que paira no ar… Cansaço.
Num passado ainda demasiado recente, os professores uniram-se, transformaram-se diversidade, diferenças, incompatibilidades numa manta de retalhos que se uniu e que lhes deu a agradável sensação de união e força. E assim foram, gritaram o seu direito de ser professores nas ruas e nos caminhos virtuais. Moviam-nos as vozes que teimavam em anular uma classe, as intermináveis reuniões improváveis, a degradação do ambiente da escola, a luta pela qualidade de um ensino que viam decair a cada portaria, a cada decreto. Uniram-se porque pressentiram o fumo da injustiça moldado por uma avaliação do desempenho que sabiam não poder ser justa, rigorosa ou verdadeira.
Os professores uniram-se fora da escola e procuraram dar as mãos dentro da escola, mas o inesperado que trouxe a união veio a par com sentimentos esparsos que espartilharam o ambiente do local de trabalho. Alguns viram que a união era débil. Alguns estavam lá porque não queriam ser avaliados por nenhum modelo. Outros estavam lá porque era politicamente correcto. Outros porque sim. Outros porque acreditavam plenamente. Outros porque reviviam outras revoluções passadas. Ao mesmo tempo, sentiram-se as pressões do poder, nacional e local, pressentiram-se os aproveitamentos que a situação favorecia. Alguns ergueram-se em bicos de pés no cimo da sua “titularidade”, outros aproveitaram para brilhar, mostrando pela primeira vez a sua “excelência”, outros ainda recusaram-se a jogar o jogo… e nuvens de mal-estar foram surgindo, incompatibilidades nascendo, amarguras implodindo…
Hoje, depois de muito ver e de muito entender, os professores sentem-se sobretudo cansados. O pico da emoção esgotou-os, o desviar da atenção para fora da missão de ensinar agastou-os, a imposição da burocracia desmobilizou-os. Cansados, tão cansados.
Agora que o turbilhão passou, o que ficou? Muitas das coisas contra as quais lutaram parece que ficam, outras talvez não, novas adversidades avizinham-se… mas e o ambiente da escola? Esse não se muda por leis nem por decretos. Esse vai ter de ser reconstruído todos os dias. O trabalho em conjunto, a partilha, a crença no projecto colectivo que é ensinar poderão vingar num sistema que estimula o individual? Teremos direito a trabalhar num local onde gostamos de estar, onde nos sentimos bem? Poderemos ter colegas de trabalho ou teremos de ter concorrentes ao nosso posto? A competição em surdina vingará? Ou a vontade de não ser esmagado será mais forte? Humanismo ou pragmatismo?
Está feliz? Não, estou cansado, muito… tão cansado. Farto!
E a qualidade de ensino fica onde? Alguém se lembra dela? Será possível conseguir esquecer que as escolas são locais onde se ensina, que os professores querem ensinar e que os alunos devem querer aprender? Parece simples, não é?


*Carla Marques - Mestre em Linguística e doutoranda na mesma área;
autora de várias publicações de carácter didáctico e de carácter linguístico:
docente na Escola Secundária/3 de Carregal do Sal.

sábado, 6 de março de 2010

O pior aluno do mundo

Recebi este e-mail há tempos atrás e, no início, quem mo enviou escrevia: “Peço desculpa pela maldade… mas não resisti”. Faço minhas as suas palavras. Aqui está a história que recebi e que transcrevo na íntegra, verificada a sua veracidade:

"Em 1969, o indiano Shiv Pappu Charan fez uma promessa à namorada: assim que ele conseguisse formar-se numa escola para adultos já poderiam casar-se. Na última semana, aos 74 anos, foi ver as pautas das notas e descobriu que tinha chumbado pela 38ª vez!
Apelidado já de "o pior aluno do mundo", o melhor que conseguiu, de um a dez, foi um 3,4 a Hindu... E a Matemática já conseguiu chegar a 0,5!!! "Vou estudar até passar de ano, pois a minha motivação é poder casar-me", diz o voluntarioso estudante… E acrescenta esta atracção turística: "Quando vou fazer uma prova, as pessoas vêm de vários lugares da Índia para me ver", conta.


"Eu tenho pena do homem e vou mandar-lhe a seguinte carta através do jornal que relata esta história:

Exmo sr. Shiv Pappu Charan

Fiquei muito comovido com a sua história e a sua persistência. Decidi fazer uma colecta para que possa estudar em Portugal. E esqueça isso do curso básico para adultos, porque você merece um curso superior. De resto, já inscrevi uma vaga em seu nome na Universidade Independente (se reabrir!), reputadíssima a nível internacional e com um excelente leque de professores. Se não reabrir temos também as Novas Oportunidades. Vai ver que não só casa como ainda chega a administrador de um banco, de uma empresa pública ou mesmo a primeiro-ministro...

Um português qualquer"

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Educar é mesmo isto...

Apesar da época de Carnaval ser supostamente mais propícia a mensagens de folia, tenho particular gosto em partilhar esta mensagem de tranquilidade e de esperança com os "bons" pais e com os "bons" professores.
Um abraço e bom fim-de-semana.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Verifique sempre os trabalhos de casa dos seus filhos!

Neste início de ano de 2010, para o qual eu renovo o desejo de que seja um ano de realizações pessoais e profissionais para todos (sabendo infelizmente que dificilmente o será para todos mesmo...), ainda no rescaldo de um "acordo" entre os professores (digo estruturas sindicais) e o Ministério da Educação, partilho uma mensagem que recebi sobre trabalhos de casa. Sendo decerto humorística, não deixa no entanto de nos fazer pensar sobre o cuidado a ter na interpretação do que nos é dado a avaliar (e isto aplica-se quer na avaliação de alunos quer na avaliação de desempenho docente), por um lado, assim como na necessidade dos pais acompanharem efectivamente os seus educandos.

Para todos, um abraço enorme.



Prezada Professora Jones,

Eu gostaria de deixar bem claro que eu não sou, nem nunca fui, uma "dançarina exótica".

Eu trabalho numa loja de ferramentas e contei à minha filha o quanto a última semana foi tumultuosa, antes do nevão. Nós vendemos todas as pás de neve que tínhamos. Todas, menos uma, que estava escondida no depósito e que foi alvo de disputa entre os clientes.

Portanto, o desenho que a minha filha fez não me mostra dançando em torno de um poste. Ela mostra-me a vender a última pá de neve que tínhamos na loja.

De agora em diante, eu lembrar-me-ei sempre de verificar os trabalhos de casa dela mais cuidadosamente antes de entregar.

Atenciosamente,

Mrs. Smith

Este foi o trabalho de casa entregue pela menina à sua professora

"Quando eu crescer... quero ser como a minha mãe!"

domingo, 28 de junho de 2009

Professores unidos - tantos e tão poucos...

No final de mais um ano lectivo, com todas as vicissitudes que assistimos e vivenciámos, mas igualmente com todas as coisas boas que nos fizeram sentir, de novo, mais do que apenas meros profissionais, penso ser justo fazer a divulgação do vídeo que tem estado a correr e-mails. Mesmo aqueles que não tenham concordado com a contestação que os educadores e os professores fizeram às inúmeras "medidas" impostas pela tutela, deverão decerto concordar com o verdadeiro civismo com que esses mesmo milhares e milhares de educadores e professores demonstraram o seu repúdio face às sucessivas desconsiderações a que foram sujeitos. Acredito, e mesmo que duvidasse queria acreditar, que tantas dezenas de milhares de profissionais terão de certeza razão. Mesmo que não seja toda, mas a maioria... certamente!
Deixo ainda aqui um testemunho escrito nos comentários do vídeo no Youtube:
"Caros colegas, obrigada! Vamos continuar a lutar, a mostrar através do nosso exemplo, das nossas atitudes e da nossa paixão pelo que fazemos que não estamos errados e que damos muito de nós, todos os dias, a todos os alunos. Porque ser professor é mais que uma profissão e não se esgota nas horas que passamos a trabalhar, é algo que se agarra à pele e fica para sempre. Porque todos os dias damos e recebemos e todos os dias queremos melhorar, vamos continuar a lutar! "
A todos os educadores e professores... um abraço muito especial.

domingo, 21 de junho de 2009

A última aula do ano lectivo...

No final do ano lectivo, naquele processo muito pessoal de autoavaliação, pensei na importância que a amizade tem nas relações que estabelecemos com os nossos colegas, com o pessoal não docente e, acima de tudo, com os nossos alunos. Depois de ter sido tão agradavelmente surpreendido pelos alunos do 11º A, não quis deixar de escrever aqui o sumário da última aula do ano lectivo da turma 10º A. O sumário é: "Amizade"... e vamos começar por visionar e analisar esta apresentação electrónica.
Um abraço e uma excelente semana para uns, umas excelentes férias para outros.
Para todos, até breve!

sábado, 6 de junho de 2009

A nobreza do carácter...

nobreza (ê)
s. f.
1. Classe dos nobres, fidalguia.
2. Qualidade de nobre, de excelente, de magnânimo.
3. Antigo tecido de seda.

carácter (át ou áct)
(latim character, -eris, sinal, marca)
s. m.
1. O que faz com que os entes ou objectos! se distingam entre os outros da sua espécie.
2. Marca, cunho, impressão.
3. Propriedade.
4. Qualidade distintiva.
5. Índole, génio.
6. Firmeza.
7. Dignidade.
Dupla grafia pelo Acordo Ortográfico de 1990: caráter ou carácter

Ontem, na última aula do ano lectivo da turma A do 11º ano, fui brindado, direi mais, fui mimado, com uma surpresa (e que surpresa!!!!!) preparada pelos alunos. Não me atrevo a colocar aqui o vídeo que elaboraram para não ser “acusado” de pieguice, embora confesse (e não me envergonhe) que o fui na aula durante o visionamento. Não tendo sido um momento único na minha carreira profissional, foi seguramente um momento raro em que senti a sinceridade e a gratidão de um grupo de alunos, em que senti orgulho na profissão que abracei, em que senti o privilégio de ter sido seu professor nos últimos dois anos, em que senti a nobreza do carácter de cada um deles…
Estamos no final do ano lectivo. Não foi seguramente um ano lectivo normal, e quem é professor sabe naturalmente do que estou a falar. O dia 5 de Junho, a aula do 11º A, vai ficar na minha memória. Quanto ao vídeo e aos afectos dos meus alunos, vou colocá-los no portefólio… não no da avaliação de desempenho, mas sim naquele que é (para mim) verdadeiramente importante: o portefólio do coração.

Caros alunos do 11º A… digo-vos aqui, novamente, repetidamente, sentidamente, as palavras do grande professor Sebastião da Gama: “O que eu quero é que vivam felizes”.
Com a dedicatória de um poema do mesmo Sebastião da Gama e com um vídeo dedicado a vocês me despeço… com um abraço, com um até breve, com um muito obrigado!

O SONHO
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ser professor...

Recebi uma mensagem que apontava para este vídeo. Vi e revi-me nele. Foi com um orgulho enorme que vi este testemunho...

Numa outra mensagem , intitulada "Os portugueses confiam nos professores", vinha o seguinte texto:
"A sondagem da Visão revela que os Portugueses confiam nos professores e arrasam os políticos e outros intrometidos. Os portugueses consideram a Educação essencial para ter melhores salários, culpam os alunos e os governantes pelo insucesso do sistema e gostariam de estudar mais."
Fonte: Visão (28-05-2009).
.
Por tudo isto isso, e por muito mais ainda, vou estar presente na manifestação do dia 30 de Maio. Com sacrifício pessoal e profissional, mas não consigo deixar de ir. Porque acredito naquilo que defendo(emos), porque me recuso a ceder à resignação...
Parafraseando o testemunho de uma colega, no seu blogue, "Não é a luta - decidida e decisiva - que queria. A manifestação do próximo dia 30 não terá implicações práticas diferentes das anteriores. A 31 de Maio, a ME não será demitida, o governo não cairá, o PR não fará uma comunicação ao país. Só que eu, afinal, não poderei deixar de estar lá. Pelos afectos é que vou. E.. a 30 de Maio, de novo, 'aconteceremos' em Lisboa..."

Um abraço forte para todos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aplicadores

Recebi hoje, por e-mail, uma mensagem com o seguinte título: "António Barreto leu o fundo interior da minha alma". Li o artigo do António Barreto, publicado no jornal "Público" do dia 24 de Maio de 2009, e compreendi perfeitamente o sentido do título. Deixo aqui transcrito o referido artigo.
Um abraço e uma excelente semana.
.
"A PUBLICAÇÃO, pelo Ministério da Educação, do “Manual de Aplicadores” não passou despercebida. Vários comentadores se referiram já a essa tão insigne peça de gestão escolar e de fino sentido pedagógico. Trata-se de um compêndio de regras que os professores devem aplicar nas salas onde se desenrolam as provas de aferição de Português e Matemática. Mais preciso e pormenorizado do que o manual de instruções de uma máquina de lavar a roupa. Mais rígidos do que o regimento de disciplina militar, estes manuais não são novidade. Podem consultar-se os dos últimos quatro anos. São essencialmente iguais e revelam a mesma paranóia controladora: a pretensão de regulamentar minuciosamente o que se diz e faz na sala durante as provas.ALGUNS exemplos denotam a qualidade deste manual: “Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste Manual”. “Continue a leitura em voz alta: Passo agora a ler os cuidados a terem ao longo da prova. (...) Estou a ser claro(a)? Querem fazer alguma pergunta?”. “Leia em voz alta: Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo, até que eu diga que as voltem”. “Leia em voz alta: A primeira parte da prova termina quando encontrarem uma página a dizer PÁRA AQUI! Quando chegarem a esta página, não podem voltar a folha; durante a segunda parte, não podem responder a perguntas a que não responderam na primeira parte. Querem perguntar alguma coisa? Fui claro(a)?”. Além destas preciosas recomendações, há dezenas de observações repetidas sobre os apara-lápis, as canetas, o papel de rascunho, as janelas e as portas da sala. Tal como um GPS (“Saia na saída”), o Manual do Aplicador não esquece de recomendar ao professor que leia em voz alta: “Escrevam o vosso nome no espaço dedicado ao nome”. Finalmente: “Mande sair os alunos, lendo em voz alta: Podem sair. Obrigado(a) pela vossa colaboração”!
A LEITURA destes manuais não deixa espaço para muitas conclusões. Talvez só duas. A primeira: os professores são atrasados mentais e incompetentes. Por isso deve o esclarecido ministério prever todos os passos, escrever o guião do que se diz, reduzir a zero quaisquer iniciativas dos professores, normalizar os procedimentos e evitar que profissionais tão incapazes tenham ideias. A segunda: a linha geral do ministério, a sua política e a sua estratégia estão inteiras e explícitas nestes manuais. Trata os professores como se fossem imaturos e aldrabões. Pretende reduzi-los a agentes automáticos. Não admite a autonomia. Abomina a iniciativa e a responsabilidade. Cria um clima de suspeição. Obriga os professores a comportarem-se como “robots”.A ser verdadeira a primeira hipótese, não se percebe por que razão aquelas pessoas são professores. Deveriam exercer outras profissões. Mesmo com cinco, dez ou vinte anos de experiência, estes professores são pessoas de baixa moral, de reduzidas capacidades intelectuais e de nula aptidão profissional. O ministério, que os contratou, é responsável por uma selecção desastrada. Não tem desculpa.
Se a segunda for verdade, o ministério revela a sua real natureza. Tem uma concepção centralizadora e dirigista da educação e da sociedade. Entende sem hesitação gerir directamente milhares de escolas. Considera os professores imbecis e simulados. Pretende que os professores sejam funcionários obedientes e destituídos de personalidade. Está disposto a tudo para estabelecer uma norma burocrática, mais ou menos “taylorista”, mais ou menos militarizada, que dite os comportamentos dos docentes.
O ANO lectivo chega ao fim. Ouvem gritos e suspiros. Do lado, do ministério, festeja-se a “vitória”. Parece que, segundo Walter Lemos, 75 por cento dos professores cumpriram as directivas sobre a avaliação. Outras fontes oficiais dizem que foram 57. Ainda pelas bandas da 5 de Outubro, comemora-se o grande “êxito”: as notas em Matemática e Português nunca foram tão boas. Do lado dos professores, celebra-se também a “vitória”. Nunca se viram manifestações tão grandes. Nunca a mobilização dos professores foi tão impressionante como este ano. Cá fora, na vida e na sociedade, perguntamo-nos: “vitória” de quem? Sobre quê? Contra quem? Esta ideia de que a educação está em guerra e há lugar para vitórias entristece e desmoraliza. Chegou-se a um ponto em que já quase não interessa saber quem tem razão. Todos têm uma parte e todos têm falta de alguma. A situação criada é a de um desastre ecológico. Serão precisos anos ou décadas para reparar os estragos. Só uma nova geração poderá sentir-se em paz consigo, com os outros e com as escolas.
OLHEMOS para as imagens na televisão e nos jornais. Visitemos algumas escolas. Ouçamos os professores. Conversemos com os pais. Falemos com os estudantes. Toda a gente está cansada. A ministra e os dirigentes do ministério também. Os responsáveis governamentais já só têm uma ideia em mente: persistir, mesmo que seja no erro, e esperar sofridamente pelas eleições. Os professores procuram soluções para a desmoralização. Uns pedem a reforma ou tentam mudar de profissão. Outros solicitam transferência para novas escolas, na esperança de que uma mudança qualquer engane a angústia. Há muitos professores para quem o início de um dia de aulas é um momento de pura ansiedade. Foram milhares de horas perdidas em reuniões. Quilómetros de caminho para as manifestações. Dias passados a preencher formulários absurdos. Foram semanas ocupadas a ler directivas e despachos redigidos por déspotas loucos. Pais inquietos, mas sem meios de intervenção, lêem todos os dias notícias sobre as escolas transformadas em terrenos de batalha. Há alunos que ameaçam ou agridem os professores. E há docentes que batem em alunos. Como existem estudantes que gravam ou fotografam as aulas para poderem denunciar o que lá se passa. O ministério fez tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Os administradores regionais de educação não distinguem as suas funções das dos informadores. As autarquias deixaram de se preocupar com as escolas dos seus munícipes porque são impotentes: não sabem e não têm meios. Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano."

Publicada por António Barreto, «Retrato da Semana» - «Público» de 24 de Maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Internet... navegar seguro e com honestidade

Esta mensagem é dedicada especialmente aos professores, em particular para o seu exercício profissional.

Celebra-se no próximo dia 17 de Maio (domingo) e por resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Dia Mundial da Sociedade da Informação. Porque é importante navegarmos com segurança na Internet e promovermos esta mensagem junto dos nossos alunos, sugiro a consulta e possível utilização de recursos e de actividades disponíveis no Centro de Recursos do sítio http://www.seguranet.pt/. Este espaço disponibiliza, quer ideias, quer “matéria-prima” que pode ser alterada, trabalhada, de forma promover a literacia digital.

Relacionado com este assunto, surgiu hoje a notícia da disponibilização gratuita do Approbo. É uma nova aplicação gratuita que permite detectar plágios em trabalhos académicos. Se alguma frase ou parágrafo de um documento entregue por um aluno constar de alguma página web, este software denuncia imediatamente o plagiador. O funcionamento da aplicação é simples: basta descarregar o Approbo da net, submete-se o documento que se pretende escrutinar e, com um click, em poucos segundos, fica a saber-se se o conteúdo do documento está online – seja em formato Microsoft Office, Adobe Reader ou OpenOffice – e onde é que está. A aplicação disponibiliza ambos os textos – o original e a cópia – no ecrã, para que seja possível perceber a extensão do plágio. A ferramenta utiliza motores de busca para encontrar os pontos de coincidência com o texto original. A partir desse ponto, o Approbo verifica – palavra por palavra – todo o arquivo e mostra-o de forma gráfica, simplificando o trabalho ao utilizador. Esta ferramenta foi idealizada a pensar na comunidade docente, que frequentemente lida com casos de plágio descarado. “Com a Internet, lidamos diariamente com fenómenos de copy-paste e, para isso, precisamos de ferramentas”. “Estamos a favor de que os documentos, quando são bons, se copiem... A única coisa que dizemos é que se citem as fontes”... palavras do responsável da Symmetric, Josep Lluís Manso, empresa espanhola que desenvolveu o software.

sábado, 18 de abril de 2009

A indisciplina nas escolas (vista por F. Savater)

Dá (muito) que pensar para nós, professores, e/ou pais e/ou simplesmente cidadãos.
Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar

Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro "Família e Escola: um espaço de convivência", dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.
"As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
"As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa", sublinhou.
Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, "são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa.
"O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar", sublinha.
Há professores que são "vítimas nas mãos dos alunos".
Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que "ao pagar uma escola" deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão "psicologicamente esgotados" e que se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos".
A liberdade, afirma, "exige uma componente de disciplina" que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.
"A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação "uma oportunidade e um privilégio".
"Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina", frisa Fernando Savater.
Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos".
"Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia", afirmou.
Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que "mais vale dar uma palmada, no momento certo" do que permitir as situações que depois se criam.

NOTA: Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.

Parlamento Europeu defende maior reconhecimento social dos professores

Maiores níveis de reconhecimento social dos professores e sistemas de avaliação orientados não só para os resultados quantitativos e os desempenhos dos alunos, mas também para a avaliação do próprio sistema, tendo em conta o contexto socioeconómico específico de cada escola, são algumas das recomendações hoje feitas pelo Parlamento Europeu aos Estados-Membros no âmbito da educação. Os resultados positivos do ensino dependem, segundo o PE, do "respeito assegurado à autoridade dos professores".

Os professores são uma peça essencial para uma escola de qualidade e, como tal, devem ser-lhes oferecidos "níveis de reconhecimento social, estatutos e remunerações condizentes com a importância das suas funções", defende o Parlamento Europeu na resolução "Melhores escolas: Uma agenda para a cooperação europeia".

Os resultados positivos do ensino dependem, segundo o documento, do "respeito assegurado à autoridade dos professores". Os professores devem ainda reflectir a diversidade da sociedade, o que se traduz, por exemplo, na necessidade de atrair mais homens para a docência.

(ler mais aqui)

domingo, 8 de março de 2009

Homenagem aos que (ainda) acreditam...

Esta mensagem é apenas uma sincera e sentida homenagem a todos os que estiveram presentes na manifestação de professores (08 de Março de 2009) e ainda aos restantes que, tal como eu, não puderam estar presentes nesta manifestação, mas que ainda acreditam na justiça da luta que encetaram...
Para todos, um abraço.
Luís Sérgio, para ti, um abraço especial. Obrigado pela tua partilha. Deixo aqui o vídeo que me enviaste.

domingo, 16 de novembro de 2008

Eu confesso... estive lá novamente.

Eu confesso... que estive lá novamente, na manifestação de educadores e professores do dia 15 de Novembro.

Possivelmente pensarão que este espaço é um confessionário e que eu vos elegi como meus confessores... possivelmente, e também por isso me penitencio.

Mas eu estive lá novamente, ainda mais convicto nas razões que me movem (assim como à grande maioria) e ainda mais esperançado em que a verdade vença a mentira, em que a razão vença a ilusão.

Estive lá novamente, no dia do meu aniversário (confidência para aqueles que não estiveram lá), na esperança de que a maior prenda que me poderiam dar era sanar de uma vez por todas este processo que mina, que corroi, que destroi...

Ainda hoje, Domingo, ao folhear o jornal "Público", li com particular atenção as palavras de três personalidades pressupostamente (re)conhecidas pela opinião pública e (pressupostamente) insuspeitas neste penoso processo. Por isso, embora correndo o risco de descontextualizar as frases, registo aqui algumas das suas palavras que acredito corresponderem ao sentimento generalizado dos professores:

"Conheço muitos professores e nos últimos meses não vi um feliz. Isso é altamente preocupante. [...] O respeito pelos professores é o mais importante, pois o futuro do país depende da educação dos seus cidadãos. [...] A palavra-chave é sensibilidade. E também afecto. É preciso olhar para isto de outra forma. Não vai à força, nunca foi. É necessário perceber as causas do descontentamento. Quando não há realização profissional, quando os professores não se sentem bem com o que estão a ter de fazer, nunca poderão dar o seu melhor à escola e aos alunos. Isto é uma verdade auto-evidente."

João Lobo Antunes, neurocirurgião


"Os jornais já publicaram mil pormenores sobre o sistema de avaliação. O escárnio é constante. A ministra queixa-se de que o seu sábio sistema foi ridicularizado! É verdade. Mas não merece menos que isso. [...] A avaliação ministerial, burocrática, formal e pseudo-científica é um enorme erro."

António Barreto, sociólogo


"Confesso-me perplexo perante os comentários da ministra. Só os entendo como revelação pública de que não sabe o que se passa nas escolas, algo muito grave para o cargo que ocupa. Basta falar com professores em qualquer estabelecimento de ensino para sentir de imediato o mal-estar docente: quem ignora esse facto distorce a realidade. A avaliação não só introduz burocracia (não é verdade que se limita só a um formulário, este é apenas a primeira fase do processo) como também fomenta problemas interpessoais entre professores. [...] Como eu gostaria que a nossa ministra, sem um séquito de assessores e com tempo, parasse nas escolas a ouvir os professores: escutaria então os protestos ordeiros de tantos "bons" professores que diz defender (...)."

Daniel Sampaio, psiquiatra e escritor